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Eu não espero mais o príncipe

  • 10 de jan. de 2017
  • 2 min de leitura

Quanto mais o tempo passa, mais se desfaz o ideário do príncipe encantado, já não creio na sua existência, e a vida não me parece mais um conto de fadas, aliás se ainda acreditasse, poderia apostar que por vezes eu sou a minha própria bruxa, que as vezes adormeço diante da vida e de algumas situações, escolho por própria loucura, ingerir alimentos estragados, daquele tipo que não mata, mas faz sofrer um pouco a cada dia que você decide por viver com aquele sofrimento, outras seria eu aquela moça na janela alta do castelo, a contemplar a vida lá fora, esperando que alguém me resgate porque ainda não tive coragem necessária de viver as coisas que quero.

Loucura imaginar uma vida perfeita, onde no final alguém nos salva e só aí viveremos felizes para todo o sempre, isso me faz pensar que até agora nunca fui feliz? todos os momentos que me fizeram sorrir, me sentir flutuar, querer viver de novo e de novo por infinitas vezes foram só ilusões? será que o tal príncipe além do beijo que irá me despertar pra vida, me trará de presente a felicidade embrulhada em um lindo pacote?

Tolice...

Não sonho mais com esta pessoa ideal, descobri que nem eu tenho sido ideal nem serei, tenho sido eu mesma, as vezes felizes e outras tristes, as vezes um doce, e outras amarga, as vezes pensando nos outros e outras só pensando em mim, as vezes desejando uma multidão e outras somente momentos de solidão, as vezes cheia de coragem e as vezes temendo diante das incertezas da vida, sou este ser um tanto bipolar, oscilando no humor, cheia de sonhos, de planos, de desejos. E ainda que um dia a pessoa ideal apareça, como num passe de mágica, ela nunca será toda ideal, talvez ela discorde das minhas opiniões, talvez goste de pimenta mais do que eu coloco na comida, talvez ela não goste de assistir futebol, goste mais doce enquanto eu de salgado, talvez ela seja sedentária enquanto eu amo caminhar ao entardecer, pode ser que ela goste de praia e eu, bom não morro de amores, talvez ela ame matemática, enquanto eu, bom eu sou de humanas.

Gosto da teoria do quebra cabeças, que duas peças iguais não se encaixam, tenho certo fascínio pelo diferente, que me instiga, que me motiva a conhecer em novas coisas, amo aquele desconhecido que me faz querer ter o conhecimento sobre assuntos que nunca ouvi falar, mas não se engane, essa é minha visão hoje, e não digo que ela é a real, a certa, a perfeita, ela serve pra mim, no meu presente, talvez esse seja o encanto do meu príncipe e assim seja escrito o meu conto de fadas.


 
 
 

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