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Hoje a noite se vestiu de saudade

  • 6 de set. de 2017
  • 2 min de leitura

Hoje a noite se vestiu de saudade Sentou-se ao meu lado e me fez companhia Me trouxe lembranças outrora esquecidas E como num passe de mágica o seu rosto refletia Brilhava aqueles lindos olhos verdes E nos meus castanhos nenhuma lágrima continha No meu peito habitavam sentimentos confusos Misto de tristeza e alegria Um vazio preenchido de amor Pela tua presença e tua partida

Hoje a noite se vestiu de saudade Lembrei das nossas longas conversas Dos teus deboches e ironias Das diversas vezes em que teu português correto me corrigia Senti saudade dos teus ensinamentos das aulas de rádio amador e de um novo mundo que descobria em cada aula particular de teologia Senti falta das tuas histórias e do teu amor por velharias, Lembrei do nosso passeio no ferro velho, E dos almoços com tua família

Hoje a noite se vestiu de saudade E já não ouço tua voz me chamar de amorzinho Já não há diplomas de concurso, não há piadas sem graça, nem mil toques no celular só para dar sinal de vida, Já não há mais chegadas ou partidas na rodoviária de Santa Maria Já não há os teus abraços, nem o teu toque, nem suspiro, nem uma batida

Hoje a noite se vestiu de saudade E senti vontade de contar sobre mim Ouvir teus conselhos e ser repreendida Ouvir você gargalhar rindo dos meus dramas e no fim me chamar de ridícula Senti saudade de receber teus e-mails depois das nossas brigas contendo fotos da tua filha, Senti saudade do teu jeito ranzinza, do perfeccionismo e de todas tuas manias

Hoje a noite se vestiu de saudade E eu me recusei a me vestir de despedida Me despi de qualquer outra armadura ou fantasia Me deitei e adormeci nos braços da realidade que havia, me cobri com tua lembrança que para mim é sempre confortavelmente viva


 
 
 

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