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Meu conto sem fadas

  • 16 de dez. de 2018
  • 2 min de leitura

Meu conto não tem fadas, nem mágica, nem animais costureiros que fazem lindos vestidos. No nosso reencontro eu estava de calça jeans e blusa laranja, não estava adormecida nem precisava ser salva, era noite eu estava nervosa e parecia o grilo falante até que o seu beijo me silenciou. Ele não usava coroa, não era descendente da realeza (se pensarmos nisso como família de Reis e Rainhas com muitas posses) muito menos chegou em um cavalo, na verdade eu resgatei aquele menino com mochila nas costas do final do expediente de trabalho, não saímos em uma bela carruagem para um lugar incrível, o que era incrível era aquele reencontro inesperado mas que já estava sendo especial por existir. Tudo estava longe de um e foram felizes para sempre, a gente era feliz sempre, pela nossa parceria, amizade e descobertas, ninguém narrava a nossa história, cada novo capítulo era escrito por nós mesmos. Não existia um caçador mau, nem uma bruxa malvada, no máximo um feitiço maldito do tempo, uma mistura mágica do lado ruim da força feita de mágoa, insegurança e medo que vez que outra fazia com que aquela mulher virasse sua própria bruxa, quando estava enfeitiçada, literalmente surtava, ficava nervosa, ciumenta e desconfiada sem motivo algum, agia de forma impulsiva, tomava atitudes impensadas, quando voltava a aí se arrependia e chorava chorava e chorava. O príncipe era nobre na alma, o ouro que possuía não estava em moedas, pois dentro de si carregava, o seu coração era o bem mais precioso, era o tesouro que para onde fosse ele levava, de gentilezas mil e cavalheirismos sem fim ele era o príncipe moderno, o mais doce que conheci. No meu conto sem fadas, eu estava longe de ser a princesa dos filmes ou dos contos infantis, fugia do casamento e daquele final feliz, jamais esperei que um homem me salvasse, só queria estudar e trabalhar, o sucesso profissional era o que mais importava, cheia de sonhos e desejo de o mundo explorar. Nada mudou nos meus sonhos e planos quando aquele primeiro beijo você me deu, tudo só se tornou menos egoísta, tudo se tornou menos meu, queria te levar pelo mundo, queria desbrava-lo com você, queria você como companheiro de aventura, queria ser feliz todos os dias com você. O felizes para sempre não foi o habitual dos contos infantis, nosso felizes para sempre não foi juntos, não como um casal, foi cada um feliz para sempre seguindo seus sonhos, seus planos, trilhando seu próprio caminho, o mesmo que fez com que por duas vezes nossa estrada se cruzasse de formas completamente diferentes, o para sempre são as memórias que construímos, essa sempre será a nossa história, esse é o nosso conto sem fadas, onde meu príncipe era na verdade meu menino, e a princesa, era uma bocó que volta e meia virava uma chata e não uma sapa, que quando algo adormecia dentro dela o carinho do menino a despertava, não era o beijo que a tirava da morte, mas o seu abraço sempre foi o seu eterno paraíso.


 
 
 

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