Estranhos Desconhecidos
- 21 de fev. de 2019
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Deixamos de ser novidade E de despertar curiosidade O sentimento não morreu Está ali em algum lugar Nos tornamos conhecidos Desconhecidos Nos olhamos com aquele olhar De quem já sabe o que o outro fará Mas não da forma boa Aquela que mostra cumplicidade Mas da forma ruim De quando nos paralisamos Por supor todas as reações do outro Da forma que nos paralisamos E perdemos nossa espontaneidade Nos enxergamos como quem ao mesmo tempo sabe tudo e não sabe nada do outro Amamos as nossas lembranças Aqueles primeiros risos O primeiro encontro Amamos as descobertas e o quanto achávamos graça do que não apreciávamos tanto Nos agarramos a felicidade de dias passados Queremos vive-los Queremos recriá-los Queremos senti-los Mas parece ser difícil construir felicidade no presente com tudo aquilo que adquirimos de conhecimento Nos amamos Nos armamos Nos calamos Fomos deixando pra lá Ta braba? Daqui a pouco eu sei, ela volta ao normal, é sempre assim Ta quieto? Daqui a pouco ele envia mensagens, é sempre assim Nos habituamos Mas quando nos vemos Sabemos Que ainda existimos Ainda estamos Permanecemos Ainda sou eu Ainda é você Ainda somos nós Mas talvez tenhamos olhado para os "defeitos" tempo demais Talvez tenhamos feito do ruim as pedras do caminho Talvez as diferenças tenham levantado muros ao invés de pontes A verdade é que nos descobrimos E deixamos de ser novidade Somos velhos E tão jovens Temos tanto a descobrir um sobre o outro Há tanto que ainda não revelamos Será que um dia conseguiremos? Não sei Só sei que ninguém constrói o futuro só com boas memórias passadas É preciso construir boas memórias presentes Não estamos aonde nos conhecemos Estamos tantos passos adiante Eu ainda sou a menina que fazia teus olhos brilharem de admiração Você ainda é o menino que faz meus olhos brilharem de admiração Somos o nosso passado Somos o nosso presente Quem seremos nós no futuro?
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